O Ano da Deschatificação

É inevitável, nesta época, pensar no fim. Fim do ano, no mínimo. Ou, em se tratando de 2012, fim de tudo se o tal calendário dos Maias estiver correto.

Incrível como o tempo acelera à medida em que os nossos anos vão passando. E quando percebemos, o ano termina… Então, depois de pensar no fim chega o momento de celebrar o começo. Porque esse é o ciclo da vida, não é?

Teve ano em que comecei a comemorar a virada às seis da tarde; morava em Los Angeles e decidimos brindar o Ano Novo de cada país. O problema é que o fuso horário da Califórnia é um dos últimos do planeta! Quando bateu a meia-noite lá já estava cansada, com frio, de camisola (nova, claro!) e de ressaca, jurando que nunca mais passaria Réveillon ao norte da linha do Equador.

Daqui a alguns dias vou tomar banho de sal grosso e mel, vestir calcinha nova, comer lentilha. Eu “creo en las brujas, y que las hay, las hay” e adoro esses rituais. Tomarei um chopp saideiro e farei uma lista de resoluções (a qual inclui, entra-ano-e-sai-ano, escovar os dentes antes de dormir mesmo que a preguiça impere e que seja delicioso sonhar com gosto de chocolate na boca). Vou ganhar um kit com incenso e amuletos com um mantra que repetirei com fé durante os primeiros dias do ano, para depois esquecer.

E vou agradecer, que bom, bem mais que pedir.

Teve um ano que foi tão próspero (em todos os sentidos) que na virada pedi que nada mudasse – e os meses seguintes foram cheios de solavancos. Às vezes a vida dá uns beliscões, que servem ou para mostrar que é preciso redefinir o rumo, ou para lembrar que quem e o que a gente tem é tudo de que precisamos. É preciso aprender a compreender a vida, conversar com ela.

Teve ano em que nada pedi e – ah! – quanta coisa ganhei! Foi o caso de 2011.

Esse ano que termina foi de “reinvenção”. No meu balancete, o saldo da memória encerra  bem mais rechonchudo que o da conta bancária.

Aprendi algumas lições. Por exemplo, “o importante da vida é poder voltar”, frase dita pelo pai do ex-vice-presidente José Alencar. Eu interpreto assim: o importante é deixar portas abertas e, sobretudo, braços abertos para poder começar e recomeçar seja qual for o caminho pelo qual a vida te levar.

No ano que inicia tenho que estar determinada a ser disciplinada, e só eu sei o quanto! Uma motivação para isso me apareceu na revista Lola. Livra-me dos boicotes e adiamentos que eu mesma me imponho”, li num artigo da revista. “Disciplina é liberdade”, cantou Renato Russo. Livra-me da procrastinação, Senhor Roteirista Lá De Cima!

O texto da Lola, muito apropriado para esta época de promessas e planos, continuava assim: “Assombra-me, Senhor! Não permita que eu me afaste do que me identifica, que eu me esqueça do que me alegra, ou cale o que me traduz”.

O que me remete ao que ouvi numa entrevista na Globo News: o verbo “deschatificar”. Esse será meu lema.

Se 2011 foi um ano de reinvenção, 2012 será o da deschatificação. Que eu interpreto assim: dramatizar menos. Sem deixar de me empenhar por quem ou o que realmente importa, me levar menos a sério.

No Ano Novo, como sempre, não quero resposta, nem receita para tudo – porque a perfeição é entediante… E se depois de agradecer decidisse pedir, pediria (mais) surpresas (boas…) e inspiração.

Ah, e que os Maias estejam re-don-da-men-te enganados. 😉

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7 respostas em “O Ano da Deschatificação

  1. Filha, mais um texto lindo!!! Que 2012 seja cheio de coisas maravilhosas para ti, que aquele livro que eu tanto espero, seja pensado seriamente, que tua inspiração brote cada vez mais!Beijos, amada!!!

  2. Tan, já estava sentindo falta de teus textos, e este é um belo empurrão para ” o ” Ano que se inicia. Teu retorno à POA também está na minha lista de agradecimentos de 2011. Bjo e que venha 2012!!!
    Sandra Garcia

  3. Adorei o texto até porque nele encontrei uma coisa que gosto muito de dizer: começar e recomeçar, sempre,um 2012 bem felizzzzz pra ti e, não te preocupa o mundo não vai acabar, é de mentirinha essa dos maias, ah! eles tiveram vários calendários, ehehehe!!!!!!!!!

  4. Tantan,
    Não sei porque só li agora esse texto…
    Traduziste muito bem esse ano, que foi de reinvenção para nós também (eu, tu, Sandra, Lucia, Lelena, Titina…). Acho que esse foi um ano de voltar. Voltar para casa, voltar atrás. A minha definição de 2011 foi muito parecida: “2011- o ano que eu mudei de ideia”.
    Na minha lista agradeci a coragem e, como a Sandra, agradeci a tua volta, a dela, a da Titina, a minha…
    É isso aí, vamos indo, que o ano já começou e os dados já estão rolando…
    Muitos beijos,
    Fernanda

E tu, o que me dizes?

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