Sem Receita

Que luxo ouvir um poema da boca do poeta! Da poetisa, no caso.

Foi o que vivi, dia desses, na Feira do Livro de Porto Alegre. Ouvi Alice Ruiz declamando “Sem Receita”. A inspiração não marca hora: Alice preparava um frango e narrava o passo-a-passo em voz alta quando percebeu que estava cozinhando um poema .

E o que sai da cozinha não é mesmo pura poesia?

Para minha chef favorita, a Maia.

Primeiro lenta e precisamente
Arranca-se a pele
Esse limite da matéria
Mas a das asas, melhor deixar
Pois se agarra à carne
Como se ainda fossem voar
As coxas soltas
Soltas e firmes
Devem ser abertas
E abertas vão estar
E o peito nu
Com sua carne branca
Nem lembrar
A proximidade do coração
Esse não!
Quem pode saber
Como se tempera o coração…

Limpa-se as vísceras
Reserva-se os miúdos
Pra acompanhar
Escolhe-se as ervas, espalha-se o sal
Acende-se o fogo, marca-se o tempo
E por fim de recheio
A inocente maçã
Que tão doce me deleita
Nos tirou do paraíso
E nos fez assim, sem receita.

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2 respostas em “Sem Receita

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