I want 2b 4ever young

“Tem alguma princesa aí?”, perguntou o ator, vibrante, lá de cima do palco.

“Eeeu!!!”, gritei cá debaixo, mais entusiasmada ainda, levantando a mão o mais alto que eu conseguia, a minha voz grave destoando descaradamente do coro de menininhas que também se auto-intitulavam “princesas”. Eu PRECISAVA subir naquele palco. Eu tinha que ser a princesa daquela peça. Eu necessitava, desesperadamente, superar o choque que havia levado coisa de meia hora antes.

Dia de muito calor, um feriado. Deveria estar todo mundo na praia. Não, ledo engano, estava todo mundo na Feira do Livro de Porto Alegre. E metade desse mundo estava no Cais do Porto, nos estandes de literatura infantil. E no meio desse meio mundo, suados mas felizes, estávamos Gringo, Guigo e eu.

Chegamos bem na hora das sessões de Contação de Histórias! Um dos espaços de contações, numa ponta do cais, estava cheinho de olhinhos e ouvidos curiosos, mas ainda havia algumas almofadas vagas. Me acomodei no gargarejo – aproveitando uma nesga de sombra e um fio de vento que corria de quando em vez. Os atores/contadores eram ótimos! Deram vida nova à boa e velha “Joãozinho e Mariazinha”, interpretando a história com a ajuda de alguns coadjuvantes recrutados na plateia. Ri como nunca –  ou “como sempre”, como diriam alguns…

Quando uma historinha terminava outra começava logo em seguida. E então o ator/contador precisava de novos figurantes no palco. “Aquela moça ali, que se tá se divertindo muito!”, ele chama, apontando pra mim.

Obviamente ele não precisaria convidar duas vezes.

Joguei a bolsa pro Gringo e fui toda faceira pro palco. Só que a faceirice durou apenas até o momento em que descobri qual seria o meu papel: a madrasta do conto de fadas. A ma-dras-ta. A madrasta… EU?

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!

Mas, mas, mas… Eu tenho a prova de um passado não distante em que eu era a Cinderela!

princesa

(Confesso: não lembro se Cinderela ou Bela Adormecida… Mas EU FUI uma princesa no balé!)

Não fiquei mordida por ter sido escalada como a vilã – porque ser má na ficção é divertido e porque, vamos combinar, acho que eu seria mais uma boadrasta. Eu só não queria ter que cair na real. Eu achava que tinha a mesma condição que o Peter Pan, no entanto…

Tic. Tac.

De repente alguém me avisa: “Tu és como a Wendy!”. O meu relógio não parou.

Meu prêmio de consolação: não fiquei em má companhia no papel que eu interpretei com a maior dignidade. Charlize Theron e Julia Roberts são as madrastas de “Branca de Neve e o Caçador” e “Espelho, Espelho Meu”. Angelina Jolie também será uma rainha malvada numa nova versão de “A Bela Adormecida”, o filme “Maleficient”.

(Comentário da Dona Ula do tipo “pra mamãe vocês serão sempre princesinhas” em cinco, quatro, três…)

Fazer aniversários é muito bom – #sóquenão.

A parte “muito boa” é ter um dia SÓ TEU, cheio de paparicações. É o dia em que pecados – como o da gula – são perdoados e permitidos. Um dia de boas vibrações. Em tempos de “redes socias” e “sites de relacionamento”, então, os desejos de alegria e felicidades são multiplicados! (E ainda há os emburrados e apocalípticos que acham a Internet “coisa do mal”…)

E eu a-do-ro a função da festa, adoro desculpa pra ir pro salão de beleza, adoro balão, bolo com velinhas, cantar “Parabéns a Você” em vários idiomas.

Como era bom aniversário na época em que Mamaia e eu fazíamos uma festa só (o meu é em janeiro, o dela em março) convidando todos os nossos amigos, os dela e os meus, e ganhando presentes em dobro!

A parte “#sóquenão” tu sabes… É ver o os ponteirinhos do relógio cada vez mais apressados, como o coelho da Alice.

Houve uma época em que eu quis que os ponteiros voassem! Como quando inventei de fazer dezenhas de trancinhas no cabelo imitando o look da Bo Derek em “Mulher Nota 10”. Eu tinha 9.

Hoje em dia o bolo do parabéns tem gostinho meio “agridoce”. Tri bom viver uma vida digna de celebrações! Mas é punk ser compelida a passar na farmácia no dia seguinte à festa pra comprar mais um frasco com 60 cápsulas de colágeno e elastina e mais um tubinho de retinol mesmo que aquela gaveta já esteja abarrotada de coisinhas que… prometem… congelar… o… tempo.

Se ao menos meus aniversários pudessem ser usados como desculpa para brindar com champanhe o dia inteiro, como gente chique… Mas eu não consigo. Os litros de clericot que eu tomei em outros tempos estragaram vinho branco e espumante pra mim, e só o cheiro já me dá dor de cabeça!

Quero crer que a genética me será gentil, e que poderei contar com a jovialidade do pai e a pele irretocável da mãe.

E, já que os ponteiros não vão retroceder mesmo, tratei de fazer uma pesquisa profunda sobre tudo o que poderá me ajudar a viver quase para sempre, sempre saudável e, se possível, bela também. Se tiveres alguma dica ou receita MILAGROSA, por favor, compartilhe.

MEU GUIA PARA SER 4EVER YOUNG 🙂 

Beber água – mesmo sem ter sede.

Comer + frutas: abacaxi ao menos 4 vezes na semana.

Em cada refeição: 3 vegetais crus e 3 cozidos.

Salada de pepino ao menos 4 vezes na semana.

Comer + alimentos integrais, soja e aveia e granola e etc.

Ingerir mais nozes e castanhas e etc. pois têm “gordura boa”.

Evitar gordura hidrogenada: ela está em tudo que é cremoso ou crocante (ou seja, em tudo que é gostoso…).

Aprende a planejar: a tensão só atrapalha.

Lembra: “DISCIPLINA É LIBERDADE”. 

Lembra de ir ao dentista…

Cultivar a fé.

Seja + objetiva.

Praticar + Yoga.

Respirar fundo… com consciência.

Seja positiva!

Chá verde, chás em geral: beber MUITO.

Reduzir o sal: temperar com ervas como alecrim, sálvia, manjericão, todas antioxidantes, como faz a Luiza Brunet.

Reduzir o queijo, como faz o Keith Richards.

Uma latinha de cerveja por dia. Ou uma tacinha de vinho.

 USAR teus creminhos!

Máscara de clara de ovo, como faz a Mulher Maravilha Lynda Carter.

Massagens!

Ouvir mais música – e não apenas noticiários.

Cultiva teu jardinzinho… Aproveita o SOL!

Alongar!

Dá motivos para alguém sorrir, every single day!

Priorizar as pessoas amadas.

Seja grata. Por tudo.

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14 respostas em “I want 2b 4ever young

  1. Nossa! Senti uma sensação de reflexão, saudosismo e realidade no seu texto, que encheu meus olhos de lágrimas… É, “O tempo não pára”… e ele é mais “cruel” conosco, mulheres. Pela ditadura da juventude eterna, que já estamos carecas de saber, ser para poucas… Se pudesse voltar no tempo uma única x eu voltava e engordava a Twiggy desde a infância e ou perpetuava o Renascentismo, quando ser cheinha era sinônimo de abundância, prosperidade e volúpia… Mas como sou positivista em relação a minha realidade, a Princesa nada mais é que a preparação para o grande papel de The Queen, como diz Lady Gaga: “don’t be a drag, just be a Queen”… adoro seu blog qrida!!! bjos d luz

  2. Temos a certeza e a esperança de irmos passando com o tempo, nos mudando, nos moldando, nos acostumando com nós mesmos e com os outros a cada nova fase desta passagem. Muito bom, sem neuras.

  3. Sobre teu drama no papel de “madrasta” na peça infantil, lembra que o sonho de todo grande ator é fazer um grande vilão! Beijo!!

  4. Só imagino tua frustração ao ser escalada para madrasta!!! mas o premio de consolação sendo comparada a Julia Roberts e cia tá ótimo!

    O importante é que o relógio tá girando e nós estamos aproveitando! Texto ótimo, como sempre!

  5. Estou lendo agora em 15 de janeiro de 2014…ADOREI!!! Então essa listinha final do que fazer para ser 4 ever young é o máximo!!! Por isso não continuei young 4 ever: não faço 1/10 disso tudo!!!hehehehehe
    Sempre é muito bom ler teu blog.
    Parabéns, parabéns, parabéns…bjus.

  6. Reli,teu texto,ele está tão novinho e atual como a escritora!!!Linda da mami,tudo de ótimo,sempre!!!Beijos e abraços!!!

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