50 Tons de Tudo

Por que a vida é technicolor.

Por que para “colocar o preto no branco”, para esclarecer alguma pendenga, para entender o outro, é preciso enxergar as nuances da aquarela.

Só que entramos no ringue cheios de “pré-conceitos”. Mesmo que seja para discutir questões que não merecem apenas uma resposta monossilábica. Não. Sim.

Quando se discute pena de morte, por exemplo, lembro do que ensina a Anistia Internacional: a existência da pena de morte não dissuade o criminoso, pois ele ou age passionalmente (sem calcular riscos e consequências) ou pensa estar cometendo o crime perfeito (portanto, na cabeça dele, sem a mínima possibilidade de ser pego). Ao Estado não caberia matar. Sobretudo quando mundo afora há governos que matam prisioneiros políticos, de consciência, ativistas. Mas como julgar um pai que decida acabar com o sequestrador da filha?

Ainda sobre vida e morte, será que existe alguém que seja absoluta e simplesmente “a favor” de um aborto? Se não fosse pela dúvida e pelo medo, quem optaria por um caminho que parece tão solitário? Dia desses vi na TV o agora ex-presidente Mujica analisando a legalização do aborto no Uruguay. Disse que o sistema criado no governo dele ampara a mulher de tal maneira que tem conseguido salvar vidas – de mães e bebês. Mas o assunto é tabu ainda, daqueles bordados de pré-julgamentos.

E tocando em outro tema polêmico, por que fazer questão de lembrar que o canabidiol, terapia salvadora para tanta gente, é substância “derivada da ma-co-nha”? E que bonito praguejar conta a regulamentação da maconha acendendo um cigarro. E bebericando um “on the rocks”. Né?

E o Bolsa Família, lembra dele? Fácil criticar um programa que tem a premissa de colocar criança na escola e comida na mesa enquanto diriges teu carro zero. Comprado com IPI reduzido, a propósito.

Ah… Nós e nossa mania de reduzir as questões. “A favor” ou “contra” é para decidir se vamos jantar fora numa noite chuvosa. “Não” ou “sim” é resposta para coisa tipo “queres dar um mergulho?”.

No entanto, esse acesso a tanta informação via Internet nos transforma em doutores de causas alheias. É uma enxurrada de dados e ditos cuja data e fonte não verificamos e nas quais acreditamos piamente. Somos especialistas em tudo que não nos tire da nossa zona de conforto.

Óbvio que todo o debate é saudável e imprescindível. Mas a rapidez com que formamos conceitos e argumentos que caberiam num tweet me impressiona. Parece que ficamos ansiosos por compartilhar um veredito sobre questão qualquer: “comento, logo existo”. Tipo assim. Apontamos o dedo com a mesma força com que castigamos o teclado do computador. Afinal, estamos protegidos, aqui atrás da tela.

Essa é apenas a minha opinião.

Agora ao tema pop da hora.

Não li 50 Tons de Cinza. Não sei se Nelson Rodrigues é mais porrada. Não estou empolgada para ver o filme.

Mas hay quem goste. Assim como há quem vá para as ruas protestar contra o filme, o livro, e contra quem devora os dois.

Carnaval é sinônimo de apatia? Torcer pelo meu time de futebol me torna “manipulável”? Ser fã do Comendador me emburrece? Mais leveza onde couber, por favor!

Opiniões, gostos, preferências, atitudes nos fazem únicos. Não donos de uma verdade absoluta. Verdade absoluta que não existe. O que há são várias versões dela. E vários tons.

É o que eu acho…

O que anda escassa nesse mundão é a capacidade de se imaginar calçando o sapato alheio. Se enxergar no mesmo aperto. Um tiquinho de tolerância. Ou alguém aí é absolutamente imune a sofrer por alguma desgraça, discórdia, desespero?

Disso eu tenho convicção.

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2 respostas em “50 Tons de Tudo

  1. Concordo com seu texto… sou absolutamente a favor da legalização do aborto e absolutamente contra o aborto. Explico: acredito que a vida é uma questão de muito respeito, especialmente ao respeito próprio. Agora, se a futura mãe assim decidiu, que tenha todo o apoio para fazê-lo em condições seguras. Penso que não há nada pior que deixar nascer e depois abortar uma criança da sociedade, empurrando para viver à margem de tudo… não é?

E tu, o que me dizes?

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